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CRM e SRM: A Lógica do Produto vs. A Lógica da Entidade | Ep. 1 | Podcast

Capa do episódio 1 sobre SRM vs CRM

Em 8 episódios, iremos refletir sobre esta importante temática muito viva no mercado automóvel.


A Díade – Dois Mundos, Um Ecossistema

No estudo da gestão contemporânea do retalho automóvel, a análise dos sistemas de informação revela uma dicotomia estrutural. Esta dicotomia não tem de representar um conflito, mas sim uma convivência entre duas dimensões de gestão distintas e complementares: o SRM (Supplier Relationship Management) e o CRM (Customer Relationship Management).

Para compreender o fenómeno comercial na sua plenitude, é imperativo observar estes dois sistemas como os dois hemisférios de um mesmo cérebro organizacional. Cada um possui um propósito funcional, um foco de controlo e uma unidade de medida base. A eficácia da gestão de uma concessão automóvel depende, em grande medida, da capacidade de a liderança compreender as fronteiras e as sinergias entre estes dois mundos.


O Mundo SRM: A Lógica do Produto e da Transação

O SRM representa a plataforma e a visão do fabricante. A sua arquitetura é desenhada para assegurar a eficiência da operação de origem, a logística e a padronização imposta pela marca. Neste hemisfério, o foco central de toda a estruturação de dados é o Produto.

A unidade de medida fundamental do SRM é o automóvel, frequentemente cristalizado no seu VIN (Vehicle Identification Number). Toda a gestão assenta no ciclo de vida desta unidade física: desde a sua produção na fábrica, passando pela logística de transporte (como a fase de cataforese ou trânsito), a chegada às instalações do retalhista, a venda, até ao cumprimento do período de garantia.

É o fabricante que detém o conhecimento primário e o controlo sobre as variáveis críticas associadas ao produto. É através do SRM que a marca define os preçários, atualiza as características técnicas, gere o mapa de stocks da rede e lança campanhas de apoio comercial. Para a marca, a gestão do negócio é a gestão da viatura. O sistema está desenhado para responder a necessidades transacionais imediatas, estruturando o fluxo entre a disponibilidade de fábrica e a entrega final.


O Mundo CRM: A Lógica da Entidade e da Relação

Em contrapartida, o negócio do retalhista automóvel possui uma matriz de complexidade muito mais vasta. Uma organização de retalho raramente se esgota na representação de um único produto ou de uma única frente de negócio. O retalhista opera frequentemente num ambiente multimarca e, invariavelmente, num ambiente multisserviços: comercializa viaturas novas e usadas, gere oficinas de mecânica e colisão, intermedeia financiamentos, seguros e contratos de manutenção.

Neste enquadramento, o centro do modelo de gestão não pode ser apenas o automóvel; tem de ser a Entidade (o cliente, seja particular ou empresa). É aqui que o CRM transversal assume o seu papel vital. O CRM não é uma ferramenta de produto, mas sim o ecossistema de estruturação do histórico relacional.

Para o retalho, saber que uma viatura foi vendida é apenas uma fração da informação. O verdadeiro valor reside em compreender o comportamento da entidade ao longo do tempo. O cliente comprou a Marca A, mas realiza a manutenção da frota na oficina multimarca do grupo? Adquiriu um usado há três anos e tem agora previsões de substituição identificadas pela equipa comercial? Negociou a Marca B no passado, não concretizou a transação nessa altura, mas manteve-se na esfera de influência da organização?

No CRM, as aquisições, as visitas à oficina e as propostas apresentadas não são o fim em si mesmas; são atributos que enriquecem o perfil histórico daquela entidade. Esta visão longitudinal é um ativo exclusivo do retalhista, porque é ele que convive no terreno com o cliente, muito para além da esfera de atuação do fabricante.


A Sinergia e a Linha de Fronteira

A convivência estruturada destes dois modelos dita a sustentabilidade do grupo de retalho. O SRM oferece ao retalhista a organização logística e a força estrutural da marca, variáveis que o concessionário por si só não conseguiria gerar. Sem o SRM, não há produto para fornecer.

No entanto, o CRM oferece à marca e ao retalhista a profundidade da relação humana, a estruturação da gestão do ciclo de vida e a capacidade de antecipação comercial. A marca domina o fabrico e a transação da viatura; o retalho domina a história, o contexto e o futuro da entidade que a conduz.

Reconhecer a validade desta díade é o primeiro passo para uma gestão madura, onde a tecnologia e a arquitetura de dados servem o propósito de criar relações sustentáveis no tempo, equilibrando a racionalidade logística da marca com o capital relacional do retalho.


Até ao episódio 2, muito obrigado!


Enquadramento Teórico e Notas de Estudo:

A reflexão sobre a Díade SRM/CRM e a "Lógica da Entidade" partilhada neste artigo assenta não apenas na experiência empírica do terreno, mas na evolução estrutural da gestão nas últimas décadas. Para os profissionais que desejam aprofundar este tema, destacamos as seguintes matrizes de pensamento que suportam o nosso modelo:
  • A Filosofia "One-to-One" (A Lógica da Entidade): O modelo mental que justifica o CRM moderno foi fundado por Don Peppers e Martha Rogers na obra seminal The One to One Future (1993). Foram os primeiros a demonstrar matematicamente a necessidade de abandonar a simples "venda de produtos a massas" (matriz SRM) para passar a gerir o Lifetime Value de uma Entidade individual ao longo do tempo (matriz CRM).
  • A Centralidade no Cliente em Portugal: No panorama académico e empresarial nacional, conceitos como o Marketing Relacional e a Customer Centricity têm sido amplamente desenvolvidos e evangelizados por especialistas como o Professor Luís Schwab (IPAM), cujo trabalho ajuda as lideranças a abandonar a visão estritamente transacional em prol da gestão longitudinal da carteira de clientes.
  • A Evolução da Arquitetura de Dados (1987-1999): A soberania tecnológica que o Retalho hoje pode exercer não seria possível sem os pioneiros da estruturação de dados relacionais. Desde os primeiros passos de estruturação de contactos de Pat Sullivan (ACT!, 1987), passando pela visão de automação estratégica de Tom Siebel (Siebel Systems, 1993), até à democratização do acesso a plataformas transversais (Cloud) impulsionada por Marc Benioff (Salesforce, 1999). O acrónimo CRM foi consolidado pela Gartner em 1995.
  • A Aplicação ao Retalho Automóvel: A síntese de todo este histórico tecnológico e relacional, aplicada à pedagogia, à liderança comercial e à convivência com as Marcas no mercado automóvel, é a base fundacional do Modelo Compromissus, desenvolvido por Fernando Silva (Viragem).

Para saber mais, fale connosco por aqui - https://www.viragem.pt/sabermaisacademiacompromissus


Na sua empresa como funcionam estas duas dimensões? Contribua com o seu comentário.



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